Mãe Três vezes Admirável  ou

Nossa Senhora de Shoenstatt

 

Este título mariano está ligado à Obra de Shoenstatt, movimento criado pelo Pe. José Kentenich, na pequena cidade alemã que deu o nome à obra e significa "Belo Lugar".

Este sacerdote alemão nasceu em Gymnich, perto de Colônia, na Alemanha, aos 18 de novembro de 1885. Ordenou-se em Limburgo a 8 de julho de 1910.

O Pe. Kentenich iniciou sua obra em setembro de 1912, quando foi nomeado diretor espiritual dos alunos do Seminário de Schoenstatt.
Foi preso pelo regime nazista no dia 20 de setembro de 141, inicialmente na prisão em Coblença e a seguir no campo de concentração de Dachau, de onde voltou para Schoenstatt no dia 20 de maio de 1945. Após a segunda guerra mundial, empreendeu várias viagens pela África, América do Sul e do Norte, onde expandiu a sua obra. Viveu em Milwaukee, EUA, de 1951 a 1965, obedecendo a determinações da autoridade eclesiástica. A 15 de setembro de 1968, festa de Nossa Senhora das Dores, faleceu, após ter celebrado a Eucaristia.

A 18 de outubro de 1914 o Pe. Kentenich proferiu uma palestra na qual revelou uma "secreta idéia predileta". Esta palestra teve lugar no vale de Schoenstatt, em Vallendar junto ao Reno, na capela de São Miguel, então cedida para a Congregação Mariana do Seminário dos Padres Palotinos.

A "idéia predileta" que ele considerava quase demasiado ousada para o público, mas não para a comunidade da Congregação Mariana, tem a seguinte formulação: "Não seria possível que a capela da Congregação se tornasse nosso Tabor no qual se manifestem as glórias de Maria? Sem dúvida, não poderíamos realizar ação apostólica maior, nem deixar herança mais preciosa aos nossos sucessores, do que levar nossa Senhora e Rainha a estabelecer aqui de modo especial o seu trono, a distribuir seus tesouros e a realizar milagres da graça..."

Com tais palavras o Pe. Kentenich apresentou aos jovens congregados marianos o plano de "fazer suave violência" a Nossa Senhora através de orações e sacrifícios, a fim de que ela transformasse a capelinha de São Miguel num lugar de graças, ponto de partida e centro de um movimento de educação religiosa e moral.

Como o Pe. Kentenich chegou a esta idéia? A sua fé convicta e um acontecimento concreto contribuíram para que isso se realizasse. A sua fé firme dizia-lhe que a missão e a atuação da Mãe de Deus não terminaram com sua vida aqui na terra, mas continuam até o fim dos tempos. Maria, a "Companheira e Colaboradora oficial e permanente de Cristo em toda a obra da redenção", como mais tarde o Pe. Kentenich viria a designá-la, continua atuando, mesmo após a assunção ao céu, com toda a sua pessoa e seu poder de intercessão na obra da salvação de seu divino Filho. Como o demonstra a história da Igreja, ela desenvolve a sua atuação, de preferência nos lugares de graças que ela mesma escolhe e por meio de pessoas que se colocam à sua disposição como seus instrumentos.

A "idéia prelileta" inflamou o coração dos congregados. Consideravam-na não simplesmente uma idéia humana, mas uma oferta que a própria Mãe de Deus lhes quis comunicar por meio do Pe. Kentenich. Tornaram sua essa iniciativa e, pela consagração de congregados marianos, sob a orientação do Pe. Kentenich, colocaram-se a serviço de Nossa Senhora. Neste sentido empregaram todos os seus esforços para a formação da própria personalidade, no dia-a-dia de suas vidas, oferecendo-os como contribuição para a realização dessa "idéia predileta".

Esta consagração e a aquiescência a este plano que lhes fora proposto, à luz do desenvolvimento posterior que foi sumamente abençoado, tomou o nome de "Aliança de Amor de 1914". As palavras proferidas nesse dia 18 de outubro de 1914, mais tarde denominaram-se "Documentos de Fundação". É a hora do nascimento da Obra de Schoenstatt.

No início de 1915 os congregados de Schoenstatt tomaram conhecimento da Congregação Mariana de Ingolstadt que floresceu no século XVI. Desta Congregação adotaram o título "Maria Três Vezes Admirável" para a imagem de Maria colocada na capelinha de São Miguel em abril de 1915. Este título foi muito bem escolhido. A Mãe de Deus, a partir de seu novo santuário, desenvolveu uma atuação admirável. Em Schoenstatt, de modo diferente ao que acontece noutros lugares de peregrinação, ela não concedia só a cura de doenças físicas, mas manifestava-se como Mãe e Educadora do "homem novo", da "nova criação em Cristo Jesus". Ela realiza, como se costuma dizer em Schoenstatt, milagres nas almas. Quem vai a um santuário de Schoenstatt deveria receber de modo especial uma tríplice graça: a graça do abrigo espiritual, a graça da transformação interior e a graça da missão e da fecundidade apostólica.

A Mãe de Deus é venerada no Santuário de Schoenstatt e em todos os santuários filiais do mundo inteiro como "Mãe Três vezes Admirável". A imagem é cópia de um quadro do pintor italiano Crosio, do século XIX. Foi entronizada no Santuário em 1915. Embora este quadro não ocupe um lugar especial entre as obras de arte, a Família de Schoenstatt, por motivos históricos e familiares que a vinculam a esta imagem, não pretende substituí-la por outra.