Amável contribuição da leitora Leonor Santos, Portugal

Bilhete de Identidade de S. Antônio

  Nome:

Fernando Martins Bulhões (que depois muda para Frei António de Lisboa)

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 Local de Nascimento:

Lisboa, perto da Sé da cidade

 Data de Nascimento:

15-08-1195 - dia de Nossa Senhora da Assunção. A data real terá sido 9-1191 por estudo feitos no último reconhecimento em Pádua

 Pais:

Martinho de Bulhões (descendente do cruzado Godofredo de Bouillon - Duque da Baixa Lorena) e Maria Teresa Taveira

 Faleceu:

13-06-1231 em Arcella, nos arredores de Pádua

 Canonização:

30-05-1232 por Gregório IX em Espoleto (Úmbria), Itália

 Doutor da Igreja:

16-01-1946 por Pio XII com o títuo de "Doutor Evangélico"

 Portugal que Fernando encontrou

Na altura em que Fernando nasceu, Portugal era regido por D. Sancho I, o Povoador, que tinha um reino relativamente novo e que ainda não havia encontrado a estabilidade necessária a um desenvolvimento próspero e seguro. Muito se devia às lutas travadas entre cristãos e árabes, que punham em risco os limites territoriais, e principalmente a estabilidade e segurança das cidades fronteiriças.

Assim, a cidade de Lisboa não era a metrópole que acabou por se tornar posteriormente. Muito pelo contrário, era um local inseguro que vivia na incerteza própria duma região fronteiriça.

A "capital" do reino era Coimbra, local afastado o suficiente da "confusão geográfica", onde os monarcas estavam sepultados e uma cidade onde já se respirava um clima cultural, muito por culpa da excelente biblioteca do Mosteiro de St. Cruz (como é sabido o clero era a classe social que se dedicava ao estudo e ao ensino).

Infância e Adolescência

 Fernando Martins de Bulhões nasce em Lisboa em 15-08-1195 (provavelmente não foi esta a data. Terá sido em Setembro de 1191). É batizado oito dias após o seu nascimento.

Inicia a sua vida eclesiástica quando contava cerca de 7 ou 8 anos de idade, ao dar entrada na Catedral de St. Maria de Lisboa (se quisermos ser mais rigorosos, na escola anexa à Catedral). Aí iniciou o estudo de Leitura, Escrita, Cômputo, Gramática, Lógica, Retórica e Música.

Foi o primeiro passo. Após esta fase da sua infância, em 1209, já um adolescente , ingressa no Mosteiro de S. Vicente de Fora (que se situava no exterior das muralhas de cidade de Lisboa). Aqui tornou-se um Cónego Regrante de S. Agostinho. Era uma Ordem que tentava aliar a penitência, a meditação e a contemplação por uma lado, com a vocação pastoral dos seguidores de Cristo (dirigida principalmente para as populações urbanas).

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Fernando de Bulhões - Cónego Regrante de S. Agostinho

Sendo uma das mais poderosas e influentes ordens que existiam em Portugal na altura, Fernando teve uma excelente oportunidade para desenvolver os seus conhecimentos da Sagrada Escritura, bem como melhorar a capacidade de os transmitir aos outros.

De facto, esta opção que tomou revelou-se bastante importante, pois uma das características que todos apontam a S. António é a capacidade única que tinha de explicar os textos bíblicos e ensinar a Boa Nova às pessoas.

Coimbra

 Em 1211 ou 1212 Fernando troca o Mosteiro de S. Vicente de Fora pelo Mosteiro de St. Cruz em Coimbra.

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Igreja de St. Cruz em Coimbra

A partir deste momento Fernando estava no centro político, cultural e social do país. Mais ainda, mudou-se para um Mosteiro que tinha contactos bastante frequentes (pelo menos para a época) com o Mosteiro de S. Vitor de Paris, e que tinha uma riquíssima biblioteca. Aqui Fernando tem as condições mais que propícias para completar o processo educativo (a nível intelectual e de oratória) que iniciou em Lisboa.
Foi desta forma que em 1218 ou 1219 se tornou sacerdote. Pensa-se que terá sido aqui que Fernando iniciou a elaboração duma importante obra que escreveu: "Os Sermões Dominicais")

Mas algo ia mudar completamente a vida de Fernando...

Os Frades Franciscanos

Enquanto está no poderoso e rico Mosteiro de St. Cruz, Fernando teve a oportunidade de travar conhecimento com alguns frades Menores (do "conventinho" de S. Antão dos Olivais) que iam participar na Eucaristia a St. Cruz, uma vez que eram Frades, contudo não sendo Padres. Os Frades Menores recusavam a riqueza, bem como a posse de grandes conventos, já que achavam ser um obstáculo à aproximação ao povo, e ser uma demonstração de ambições mundanas, o que contrariava completamente os ideais que Francisco de Assis tinha de Cristo. Desta forma viviam na pobreza, humildade, no serviço e na penitência, contando com a esmola das pessoas para sobreviverem.

Este contacto com os franciscanos certamente alterou algo na forma de Fernando viver o seu amor a Deus.

No entanto o acontecimento decisivo foi em 1220 quando regressaram os restos mortais de cinco mártires franciscanos que tinham estado algum tempo no "conventinho". Berardo, Otão, Pedro, Acúrsio, Adjuto e Vital tinham estado em S. Antão dos Olivais antes de partir para Marrocos na tentativa de acabar com a perseguição que Miralmuminiom Abu Jacub exercia sobre os cristãos. Os primeiros cinco chegaram a partir, mas Frei Vital não pôde partir por motivos de saúde. Fernando muito provavelmente conheceu estes frades enquanto estiveram em Coimbra e ficou muito sensibilizado ao ver os seus corpos decapitados por amor a Deus...

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(Igreja de S. Cruz)

Os cinco mártires Franciscanos que Fernando conheceu e que o sensibilizaram para a vida Franciscana...

Após a chegadas dos mártires a St. Cruz Fernando troca o hábito e a murça de Cónego Regrante de S. Agostinho pela simples estamanha e corda Franciscana.

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O Hábito Franciscano

Provavelmente terá recebido o hábito das mãos do Frei João Parente, responsável pelas comunidades franciscanas na Península Ibérica e que posteriormente se tornou terceiro Superior Geral (tendo sido o primeiro S. Francisco e o segundo Frei Elias).

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Tomada de hábito de Fernando de Bulhões (Frei António de Lisboa)

Nesta altura nasce Antônio - decide mudar de nome em homenagem a S. Antão (em latim diz-se "Antonius"), que dava nome ao "conventinho".
Com este desejo ardente de se tornar mártir por amor a Cristo, Frei Antônio, depois de passar um período de "noviciado" nos Olivais, parte, logo em 1220, para o Norte de África em missão apostólica. No entanto Antônio não estava destinado a ser mártir. Adoeceu gravemente e quis regressar no ano seguinte. Mas Frei Antônio também não estava destinado a ficar em Portugal. Uma violenta tempestade desviou o barco para a Sicília, mais propriamente para Messina.

Desta forma inicou na Itália uma vida eremítica por várias comunidades franciscanas, a saber Messina, Romanha e Monte Paulo. Abraçou completamente o ideal de Francisco: a pobreza, a austeridade, a humildade, o jejum e a oração.

Frei Antônio Pregador

No Verão de 1222 estava Frei Antônio em Forlí por altura da ordenação de vários frades. Como não houve voluntários para o sermão Frei Antônio foi escolhido para o proferir. Neste momento, a capacidade comunicativa do ex-cônego Regrante impressionou de tal forma os restantes frades, que acabou por ser nomeado pregrador, indo anunciar a Boa Nova a várias cidades como sendo Faenza, Imola, Rimini, Milão e Bolonha, onde obteve notáveis desempenhos.

Em 1223 o Frei Francisco de Assis autoriza Frei Antônio a fundar a primeira escola de Pregadores e Teólogos Franciscanos. Na mensagem de Francisco lia-se: "A frei Antônio, meu Bispo, Frei Francisco envia saudações. Apraz-me que ensines teologia aos frades, contando que por tal estudo não extingam o espírito de santa oração e devoção, como está contido na regra. Adeus"

Frei Antônio em França
Em 1124 Frei Antônio parte para Provença, já que apareciam algumas teses Albigenses, que defendiam a
fundação duma nova Igreja. Aqui António conhece importantes pregadores e teólogos que a ele se
uniram no    esforço de manter a igreja unida.

Depois parte para sul onde prega em cidades como Montpellier, Toulouse, Arles e Limoges. A partir desta altura participa muito activamente na dinamização da Província Franciscana de Provença, onde tenta conjugar a Pastoral Evangélica com a vocação contemplativa.

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(S. António dos Olivais, Sacristia

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