Beata Eusébia Palomiro Yenes
Nasceu em Contalpino/Espanha, em uma casinha baixa, escura e fria. O pai muito fraco em saúde e a mãe que nunca sabia o que colocar à mesa para saciar a fome de seus filhos.
Mas tarde ela dirá: “Lembro-me tanto da minha querida casinha, onde passei a minha infância”. Pobreza, miséria, vida difícil mas carregada de fé e esperança, foi a vida de Eusébia. O pai era quase analfabeto, doente, desempregado, com uma ferida na mão. Nutria, no entanto uma profunda fé, o que dava força para assumir uma vida assim difícil. Há 4 dias não se via o pão em casa e ele tomou uma decisão: Com a pequena Eusébia sai a pedir esmola, vagando pelas estradas. A atitude arrojada do pai é uma grande alegria, uma festa para a inocente e pequena Eusébia que troca com um sorriso o que recebe de esmola.
Freqüentando a escola, Eusébia se depara com outro mundo que não é seu, mas deve deixar os livros para ajudar a mãe a procurar lenha no bosque. As poucas forças não a impediam de caminhar alegremente pelas estradas para se preparar interiormente ao grande dia da 1ª Comunhão. Então sim, aprendia com facilidade, porque tudo a levava ao mundo que era seu: aprender as coisas de Deus. Estava convencida de que não era feita para este mundo. Escreveu: “O pouco que tinha era muito para mim, pois nada me podia distanciar das delícias que gozava, pensando no céu”. Sua devoções: Nossa Senhora e as Santas Chagas de Jesus Cristo. Devoções que a acompanharam por toda vida.
Eusébia, a pequena profética, disse: “A Espanha viverá dias sangrentos” e dirá com suas palavras: - república, anarquia, burguesia, abaixo a religião, morram os padres, as freiras, não queremos saber de Deus -, palavras estas para ela desconhecidas. A dura realidade aconteceu: Revolução Espanhola conforme o que disse, deixou por terra muita gente, casas, mosteiros, igrejas, tudo foi saqueado e destruído. Também ela, com o crucifixo nas mãos, enfrenta os soldados, mas cai pelas escadas, invocando N. Senhora, enquanto os soldados fogem. Ela então diz que se ofereceu como vítima para a salvação da Espanha.
Trabalhando na horta da casa de uma família, vê, no chão, uma medalha da Auxiliadora e indo para a escola das Filhas de Jesus, encontra uma menina que insiste no convite de que vá com ela, aos domingos, ao oratório das Salesianas. Eusébia vai, e entrando na Capela se depara com a estátua de M. Auxiliadora e sentiu uma voz que lhe disse: “É aqui que te quero. Tu serás minha filha”. Mas Eusébia resiste, pois sua pobreza não lhe permitirá ficar naquele lugar. E quem era aquela menina que a convidou para ir ao Oratório? Ela não soube e nem mesmo a encontrou nunca mais em sua vida. As Irmãs salesianas a convidam para morar com elas e assim ajudar nos serviços da casa e estudar. Aí ela fica e atrai as alunas que a escutam com prazer e chegam a dizer: “Ela é muito instruída em coisas de religião”. O Inspetor salesiano foi ao colégio e Eusébia quis falar com ele. Entrando na sala, ele logo lhe diz: “Você quer ser Salesiana, mão é? Vou lhe dar uma bênção”. Eusébia é admitida no Instituto, mas como noviça, é excluída da Profissão Religiosa, pois está doente e muito fraca. Sua plena aceitação da vontade de Deus surpreende a Superiora que a admite à Profissão. Como salesiana trabalha na cozinha, portaria e assistência ao Oratório. Ir. Eusébia fez, em vida, verdadeiros milagres que deixaram muitos admirados com a santidade de sua vida.
Ir. Eusébia, muito doente e desenganada pelos médicos, faleceu no dia 10 de fevereiro de 1935, em Valverde del Camino, na Espanha.
Sua festa é celebrada no dia 10 de fevereiro.
O MISTERIOSO QUADRO DE IRMÃ EUSÉBIA PALOMINO
Manuel Parreño Rivera, famoso pintor espanhol, não tem mãos: pinta com os pés. Confessa ser "ateu consumado". Estudou Belas Artes em "Santa Isabel da Hungria", de Sevilha. Completou 60 anos em 1998 e reside em Valverde del Camino, cidade de Ir. Eusébia. Parreño é autor de um quadro que se tornou importante para o processo de beatificação da Religiosa.
Foi pedido a ele, com insistência, para pintar a figura de Ir. Eusébia. O artista, especialista em copiar retratos, sentiu uma forte rejeição pela proposta e não quis aceitar o pedido. "Sempre pintei na presença da pessoa", disse ele. Mostraram-lhe uma foto da Religiosa e ao ver disse que seria “enormemente difícil” fazer a cópia e que levaria, ao menos, 6 anos para terminar.
Numa 5ª feira Santa, o pintor disse à esposa, ceticamente, que ia começar o retrato de Ir. Eusébia. Chegando ao estúdio, encontrou uma tela de 130 por 81 cm. deixada por um de seus alunos, mas não estava pronta. Um representante de telas de Alicante foi até o estúdio de Manolo para ver se precisava de alguma coisa. Ajustou a tela para ele em 10 minutos, deixou-a em perfeito estado, despediu-se e Manolo nunca mais o viu. O pintor disse: “Este homem não foi avisado e apareceu por aqui".
Sem esboço, o artista molha o pincel e começa a pintar a figura. "O normal é que se corrija, mas não precisei disto". Um acidente inesperado levou Parreño a disparatar impropérios. Ao deslizar o pincel, uma mancha caiu sobre o olho da retratada. O artista tira com um dedo – do pé - a mancha e se surpreende, pois não precisou de pincel para consertar a mancha. "Senti tanto medo que fechei a porta e fui para casa".
Parreño gasta normalmente uns 14 ou 15 dias para terminar um retrato, por este motivo, quando olhou o quadro pronto depois de apenas 4 horas e meia, um calafrio percorreu suas costas. O artista olhando a pintura e fixando seus olhos nos olhos Ir. Eusébia, disse: "Vejamos se o que dizem a teu respeito é verdade. Eu gostaria muito de comprovar de perto se teus prodígios são verdadeiros".
Mais de 400 pessoas viram e ficaram admiradas com a obra. Quem conheceu Ir. Eusébia pessoalmente, declarou a autenticidade da expressão. O próprio pintor ficou extasiado e fortemente surpreso com o que fizera e reconheceu o auxílio do alto dizendo: "Minha interpretação do quadro é que sinto Ir. Eusébia no céu. Seu rosto reflete uma expressão radiante e interpreto desta forma agora, mas não trabalhei pensando nisso. O quadro saiu, mas eu fui somente o instrumento”. E afirmou: "Declaro publicamente para que vejam que não planejei aquilo. Não foi pintado por mim, uma força me conduzia. Todos sabem que eu sempre vivi afastado de todo tipo de religião. Ser protestante, ortodoxo, católico ou testemunha de Jeová, para mim não faz a menor diferença”. E disse: "Eu vivia em tensão constante e hoje me encontro relaxado, feliz, com uma paz extraordinária e isto se deve ao fato de ter pintado o quadro de Ir. Eusébia. Isto posso confessar nobre e humanamente. Estaria disposto a dizer a verdade sobre tudo o que me aconteceu, diante dos Tribunais, se fosse necessário".