Omolú

Os termos Omolú, Obalauê e Xapanã caracterizam-se por serem as principais designações conferidas a uma das divindades mais cultuadas e temidas pelo Candomblé, pela Umbanda e pelo Batuque, o senhor da morte e das doenças.

Por ser o Orixá responsável pelo elemento terra – da qual tudo nasce e tem seu fim –, cabe a Omolú as tarefas de reger a desencarnação e a encarnação dos espíritos. Ademais, por ter sofrido demasiadamente durante a infância, a divindade acabou se tornando o deus da doença, tendo tanto o poder de atribuir doenças aos seres, quanto de curá-los.

Omolú
Omolú

História

  • Nascimento e criação:

Filho de Nanã e Oxalá, Omolú nasceu cheio de pústulas e feridas. Em razão da condição da criança, Nanã, impiedosa, abandonou o seu filho ainda recém-nascido para a morte à beira-mar. No entanto, Omolú foi encontrado – todo deformado pela doença e por mordidas de caranguejos – por Iemanjá, que, compadecida, resolveu acolhê-lo e cuidar dele como um filho.

Devido aos sentimentos que o abandono gerou nele, Omolú se tornou um adulto bastante introspectivo e sério, além de muito tímido, por conta das cicatrizes que as lesões deixaram em sua pele. Inclusive, em razão da vergonha que estas marcas causam no Orixá, narram às lendas que ele sempre usa a Filá e o Azé, que são vestimentas de palha que recobrem todo o torso e a face da divindade.

  • Revelação:

Depois de adulto, Omolú resolveu retornar ao seu local de origem. Porém, ao fazê-lo, deparou-se com uma enorme festa, na qual estavam presentes todos os demais Orixás. Envergonhada, a divindade resolveu permanecer distante. Contudo, Iansã – regente dos ventos –, curiosa ao ver aquele homem todo coberto, resolveu revelá-lo, lançando sobre ele uma ventania que levantou todas as suas palhas. Omolú, estarrecido, espantou-se quando percebeu que todas as divindades não viam as suas cicatrizes e sim uma pele que emitia um brilho tão intenso e lindo quanto o do sol. Aliás, o brilho de Omolú é tão forte que chega a ser fatal para os humanos que o veem.

Diferença entre Omolú e Obalauê

Embora os termos Omolú e Obalauê sejam constantemente tidos como sinônimos, eles indicam distintos estados do mesmo Orixá, sendo que em cada uma destas circunstâncias a divindade ocupa um diferente Trono do Conhecimento. Isto, inclusive, é o que explica o fato do deus ter duas funções principais bastante diversas.

O termo Omolú é empregado para apontar que a divindade assenta-se no polo negativo do Trono da Geração, o que confere ao Orixá o poder de atuar no desencarne dos espíritos e na condução deles à dimensão que lhes cabem. Ademais, Omolú é ainda o guardião das almas caídas.

O nome Obalauê, por sua vez, é a designação dada ao Orixá quando ele ocupa o polo positivo do Trono da Evolução, o que concede ao deus as funções de promover a encarnação e a evolução dos seres.

Qualidades de Omolú

Veja, logo em seguida, algumas das qualidades de Omolú/Obalauê:

  • Afoman: caminha com Ogum, veste estopa e usa amarelo e vermelho; tem sempre consigo uma bolsa, onde guarda as moléstias do mundo;
  • Akavan: caminha com Iansã e Oyá; utiliza vestes estampadas;
  • Azoani: caminha com Iemanjá, Irokô e Oxumaré; veste palhas e vestes vermelhas;
  • Azunsun: caminha com Oxalá, Oxum e Oxumaré; usa vestimentas brancas; em sempre uma lança consigo;
  • Jagun Àgbá: caminha com Iemanjá e Oxalufan;
  • Jagun Ajòjí: caminha com Exú, Ogun e Oxaguian;
  • Jagun Itunbé: caminha com Oxaguian e Oxalufan; não come feijão preto e é o único que gosta de Igbin;
  • Jagun Odé/Ipòpò: caminha com Ínlè, Logun, Ogun e Oxaguian.

Características dos Filhos

Os filhos de Omolú/Obalauê são caracterizados por serem extremamente teimosos, vingativos, irritadiços e pessimistas. No entanto, em contrapartida a esses aspectos, essas pessoas costumam ser muito carinhosas, além de bastante fiéis e dedicadas.

Candomblé e Igreja Católica

Como Omolú/Obalauê possui duas funções distintas, assentando, assim, em dois tronos, Ele foi sincretizado a dois santos católicos. Omolú, que atua na desencarnação dos seres, foi relacionado ao São Lázaro, que, além de ser o padroeiro dos mendigos e dos leprosos, conhece a passagem da vida, por ter ressuscitado na sua primeira morte; já Obalauê, que é o responsável pela encarnação do espírito, foi associado ao São Roque, o que se deve ao fato da figura católica ser tida como patrono dos adoentados.

Omolú na Umbanda

Na Umbanda, diferentemente do que acontece no Candomblé, é mais rara a diferenciação marcante entre Omolú e Obalauê, o que faz com que a sincretização do Orixá varie de acordo com cada região; os umbandistas brasileiros, por exemplo, frequentemente o associam ao São Lázaro, mas em diversos outros países é mais comum a relação da divindade ao São Roque.

Ademais, Obalauê – como é normalmente chamado na Umbanda – representa um dos sete orixás maiores, sendo conhecido, principalmente, como o deus das doenças, da saúde e da cura.

Oferendas

A oferenda que mais contenta o Omolú/Obalauê é o Dorubu, sendo este, portanto, o prato majoritariamente oferecido ao Orixá.

De simples preparo, o Dorubu caracteriza-se por ser milho de pipoca estourado – com óleo ou com areia –, disposto em um alguidar e enfeitado com lascas de coco.

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