Exú

Exú

Quando se pensa em Exu é comum se lembrar daquelas entidades da esquerda que atuam em diversos lugares como, por exemplo, cemitérios e encruzilhadas e que atendem por nomes como Exu Caveira ou Tranca Ruas.

Além deles, existe também um orixá conhecido como Exu, o qual faz a ligação entre o mundo espiritual dos orixás e o mundo físico dos homens. Ele é o verdadeiro canal de comunicação entre esses dois mundos e promove a fartura, a prosperidade, proteção espiritual e a fertilidade.

Quando Exu é bem tratado ele retribui em dobro as oferendas recebidas, mas se um filho se esquecer dele poderá se ver jogado a própria sorte, já que o orixá não perdoa e pode até fechar os seus caminhos.

Exu
Exu

Lenda de Exu

Existe uma curiosa lenda sobre Exu. Conforme a mitologia africana, ele ficou sabendo que uma rainha tinha sido abandonada pelo seu rei, e por estarem dormindo em aposentados separados, ele resolveu ir ao seu encontro para entregar uma faca e dizer que se ela queria o rei de volta deveria cortar uns fios de sua barba à noite quando ele estivesse dormindo.

Logo depois, ele resolveu ir à casa do príncipe herdeiro para lhe dizer que o rei queria vê-lo a noite junto com o exército. Feito isso, procurou o rei e lhe falou que a rainha estava bastante magoada e planejava mata-lo à noite. Instruiu-lhe a fingir que dormia.

Quando anoiteceu, o rei foi se deitar e fingiu dormir. Algum tempo depois, a rainha se aproximou empunhando uma faca perto da garganta dele, que logo imaginou que ela queria mata-lo.

O rei logo a desarmou e lutou contra ela. Com a confusão, o príncipe que havia chegado com os seus guerreiros escutou e se dirigiu imediatamente para os aposentos do rei. Quando ele entrou, o rei logo pensou que seria morto e começou a gritar pelos seus guardas pessoais. Por fim, a luta acabou gerando um grande massacre.

Qualidades do Orixá

As qualidades de Exu mais conhecidas são as seguintes:

  • Aflekete – Aquele que acompanha o Odú Ogbedi;
  • Àgbá: É o pai ancestral;
  • Agabanikpe – Aquele que fica no interior de dois alguidares emborcados;
  • Agbo – Aquele que guarda o sistema divinatório de Orunmilá;
  • Agomeje – Aquele que acompanha o Odú Ogundawónrin;
  • Aiyangi Elufé – Aquele que acompanha o Odú Oyekuturá;
  • Ajelé – É o Exu de Ogbeyuno;
  • Ajonan – Possuía forte culto na região antiga de Ijexá;
  • Akpelejo – Aquele que guarda o Odú Ejiogbe;
  • Akesan – Aquele que domina os comércios;
  • Alagbana – Aquele que acompanha o Odú Oturukponbirete;
  • Alaketu – Aquele que é o dono do dinheiro;
  • Bara – É o princípio da vida individual;
  • Elebó ou Eleru – É o primeiro a ser invocado e senhor das oferendas;

Na Umbanda e no Candomblé

Exu é uma divindade bastante cultuada nas religiões afro-brasileiras. No Candomblé é tido como um orixá, já na Umbanda se junta as Pombagiras para auxiliar a quem lhe pede nos mais diversos assuntos ligados a proteção, amor, prosperidade e dinheiro.

O orixá Exu é geralmente sincretizado na Igreja Católica como Santo Antônio, cujas homenagens anuais são realizadas a cada 13 de Junho, data esta em que é comum a realização de diversas simpatias para os casos de amor.

Oferendas

Para homenagear ou fazer pedidos a Exu é só preparar o seguinte padê:

Ingredientes

  • 01 pacote de farinha de milho amarela;
  • 01 bife;
  • 01 cebola grande;
  • 07 pimentas vermelhas;
  • 01 vidro de azeite de dendê;
  • 01 garrafa de aguardente;
  • 03 charutos;
  • 01 caixa de fósforos.

Modo de preparo

Pegue um alguidar e coloque a farinha de milho junto com um pouco de dendê. Utilize as mãos para criar uma farofa bem fofa enquanto mentaliza o seu pedido. Depois, corte a cebola em rodela e refogue no dendê. Faça o mesmo com o bife.

Logo após, cubra o padê com as rodelas de cebola e coloque o bife no centro. Para enfeitar, utilize as sete pimentas. Ofereça o padê a Exu junto com os charutos e a aguardente.

Tipos de Exu

Veja a seguir alguns exus famosos:

  • Exu Tranca Ruas;
  • Sete Encruzilhadas;
  • Caveira;
  • Capa Preta;
  • Exu Tiriri;
  • Giramundo;
  • Exu Veludo.

Xangô

Xangô

Se existe um orixá que é ao mesmo tempo admirado e temido é, sem dúvida, Xangô. Trata-se de uma divindade africana responsável pela justiça, assim como pelo fogo, trovão e raios.

Também conhecido como Shango, Sango e Badé, Xangô foi um rei na cidade de Oyo e é geralmente representado empunhando um oxê, que nada mais é do que uma espécie de machado que possui duas lâminas.

Quando uma pessoa sofre alguma injustiça ou deseja agir de forma justa em uma determinada situação deverá pedir ajuda a Xangô. Confira a seguir a sua bela história.

Xangô
Xangô

História de Xangô

Xangô é filho de Bayani e marido de Oxum, Obá e Iansã. Uma das lendas mais famosas sobre ele relata sobre uma importante batalha. Segundo a mitologia africana, Xangô liderava um exército enquanto os seus opositores eram bastante impiedosos.

Todos os homens de Badé que eram capturados sofriam tortuosas mutilações e execuções, cujo propósito era mostrar a Xangô o poder que detinham. Após perder um grande número de homens, ele resolveu meditar no alto da pedreira para elaborar um plano de combate. Logo, ele começou a observar que eram jogados ao pé da montanha os corpos dilacerados dos seus guerreiros.

Tomado pela ira, Badé começou a bater forte com o seu machado contra a pedra, o que ocasionou no surgimento de fortes faíscas que se assemelhavam a coriscos. Assim sendo, ele começou a bater com mais força de modo que atingiu os seus inimigos. Consequentemente, Xangô se saiu vencedor.

Ao aprisionar os seus inimigos, os ministros de seu reino pediram que Xangô destruísse todos eles como forma de justiça, uma vez que eram os opositores muito impiedosos. Porém, ele não concordou e disse que o seu ódio não poderia ultrapassar os limites próprios da justiça. Os guerreiros cumpriram ordens dos seus líderes, e estes sim mereceriam sofrer a ira de Badé.

Desta forma, ele empunhou o seu machado em direção ao céu e gerou vários raios que destruíram os líderes inimigos, enquanto os guerreiros libertos resolveram servi-lo com fidelidade e lealdade.

Características e Qualidades

São dadas a Xangô 9 qualidades, a saber:

  • Afonjá: O governante de Ilorin;
  • Obá Kosso: Título recebido ao fundar a cidade de Kossô;
  • Obá Lubê: Refere-se a toda a sua riqueza e poder;
  • Obá Irù: Título recebido logo que alcança o apogeu do império;
  • Obá Ajaká: Referência ao filho mais velho, herdeiro do trono;
  • Obá Aganjú: Personificação dos vulcões;
  • Obá Orungã: Dono da atmosfera;
  • Obá Ogodô: Bocejo de Xangô quando se troveja;
  • Obá Jakutá: Representação própria da justiça.

Na Umbanda

Xangô é o orixá da justiça, da sabedoria e da política. Para tanto, representa-se o seu poder com uma balança, a qual indica o equilíbrio dos julgamentos.

Na Umbanda, Badé é identificado como São Jerônimo, cujas homenagens e festejos são realizados todo dia 30 de Setembro, sendo esta data a do seu falecimento ocorrido em 420 d. C.

Candomblé e Igreja Católica

No sincretismo religioso entre o candomblé e o catolicismo, Xangô é representado com os seguintes santos: São José, São Miguel Arcanjo, São João Batista ou São Pedro.

Oferendas

O Amalá é o prato favorito de Xangô. O seu preparo é simples. Basta separar os seguintes ingredientes:

  • 500 gramas de quiabo;
  • 01 cebola;
  • 01 rabada cortada em 12 pedaços;
  • 250 gramas de fubá branco;
  • Azeite de dendê.

Modo de Preparo

Cozinhe a rabada com a cebola no dendê. Em outra panela, refogue a cebola no dendê, separe 12 quiabos e corte os demais em finas rodelas. Junte a rabada cozida.

Faça uma polenta e forre uma gamela. Ponha o refogado e enfeite com os 12 quiabos de cabeça para baixo.

Saudação

Diz-se “kaô kabiessillê”.

Filhos de Xangô

Uma característica bastante peculiar de Badé é que ele detesta doenças, morte e tudo que já morreu inclusive os eguns (ou espíritos desencarnados), pois existe uma probabilidade de que ele seja uma espécie de imã que os atrai facilmente.

É por isso que dizem que quando um dos seus filhos está prestes a morrer, algo em torno de 6 ou 7 meses antes Xangô o entrega a Omulu ou a Obaluaê. Possuem postura nobre e sempre andam acompanhados. Gostam tanto do poder quanto do saber.

Oxum

Oxum

Vaidade, beleza e amor são algumas das palavras que nos fazem lembrar rapidamente da figura doce de Oxum, um orixá africano que representa as águas doces, as cachoeiras e os rios. Ela também é conhecida como Ochun, Oshun e Osun.

É ela quem nos inspira a buscar o amor, a prosperidade e a beleza. Oxum é calma, delicada, por vezes manhosa. Reconhecida como a Senhora do Ouro, pois ela é rica, bem como é dotada de grande sensibilidade, a qual influencia as pessoas que a ela pedem socorro, principalmente os seus médiuns que ao incorporarem acabam derramando lágrimas que os fazem ser chamados de chorões.

Irmã de Iansã e uma das esposas de Xangô, sendo as demais a própria Iansã e Obá. Veja a seguir um pouco mais sobre a história de Osun, entidade espiritual cultuada tanto na Umbanda quanto no Candomblé.

Oxum
Oxum

História de Oxum

Segundo a Mitologia Africana, Oxum é a filha de Oxalá mais bela e amada, além de ser muito curiosa. Em certa ocasião, ela se apaixonou por um dos orixás e quis que Orunmilá, melhor amigo do seu pai, lhe ensinasse a ver o futuro.

Mas como tal cargo só poderia ser ocupado por homens, Oruunmilá se recusou a ensinar-lhe os segredos. Oxum, por sua vez, seduziu Exu e lhe pediu para que roubasse o jogo de ikin (cascas de coco de dendezeiro) que pertencia a Orunmilá.

Oxum aproveitou para pedir as feiticeiras africanas (Iyami Oshorongá) que viviam na floresta para que lhe ensinasse a ver o futuro, mas elas com o intuito de provocar Exu não ensinaram. Todavia, Exu conseguiu roubar de Orunmilá os segredos e os partilhou com Oxum, que em agradecimento lhe concedeu a honra de ser o primeiro orixá a receber os louvores no jogo de búzios. Desta forma, Oxum representa o poder, a sabedoria e a força da vidência feminina.

Características

São conhecidos 16 características ou caminhos de Oxum, a saber:

  • Iya Omi – Idosa que faz as perguntas a Esu no Ifá;
  • Òsun Abalu – Considerada a mais velha;
  • Òsun Abalô – Aquela que carrega Ogum;
  • Ósun Ijimu – É um tipo de Òsun velha;
  • Ósun Aboto – É a Oxum das Nascentes;
  • Osun Apará – Jovem e guerreira que acompanha Ogum;
  • Osun Ajagura – Jovem guerreira que é casada com Aganju;
  • Yeye Oga – É velha e rabugenta;
  • Yeye Karê – Guerreira que possui um arco e flecha (ofá);
  • Yeye Oke – É possível que seja Yeye Loke;
  • Yeye Onira – Guerreira de qualidades atribuídas a Oyá;
  • Yeye Oloko – Caçadora que vive no interior das matas;
  • Yeye Pondá – Guerreira e mãe de Logun Edé;
  • Osun Ê Wuj Í – Aquela que é saudada no padé;
  • Yeye Loku – Aquela que reside e é cultuada nas lagoas de águas profundas;
  • Yeye Odo – Trata-se da Osu que vive nas nascentes e fontes.

Na Umbanda

Oxum é um orixá bastante cultuada na Umbanda como a divindade que protege desde as gestantes até a juventude. Geralmente é evocada para realizar a limpeza fluídica tanto do ambiente como, por exemplo, do próprio templo como das pessoas ali presentes. Também lembrada carinhosamente como “Mamãe Oxum”, ela ampara todos os seus filhos e oferece ajuda a quem lhe pedir.

Candomblé e Igreja Católica

Oxum é uma divindade no Candomblé sincretizada no Catolicismo com Nossa Senhora da Conceição em regiões como o Rio de Janeiro, enquanto na Bahia é sincretizada com Nossa Senhora das Candeias e Nossa Senhora Aparecida. Oxum é homenageada todos os anos em 08 de dezembro.

Oferendas

Um prato que se pode preparar para fazer pedidos ou mesmo agradecer por um auxílio recebido de Oxum é o Omolokum que é fácil de ser preparado. Veja a seguir como fazê-lo.

Ingredientes

  • 500 gramas de feijão fradinho
  • 8 ovos
  • 1 cebola
  • Azeite de Oliva

Modo de Preparo

Cozinhe o feijão junto com a cebola e o azeite. Depois os amasse bem até que se forme uma pasta. Em seguida, coloque o preparo em um recipiente de louça.

Cozinhe os ovos e assim que terminar corte-os em quatro. Pegue-os e enfeite o preparo e por fim, regue com bastante azeite.

Saudação ao Orixá

Para saudar Oxum deve-se dizer “Ora Yê Yê Ô” que, em português, quer dizer o mesmo que “Salve a benevolente mãezinha”.

Nanã

Nanã, Nanã Buruku ou Anamburucu é a mais velha Orixá e, sem dúvida alguma, uma das mais temerosas. Ela é a divindade da lama, além de ser a responsável pela passagem entre a vida e a morte, limpando a mente das almas desencarnadas, para que elas possam reencarnar livremente, sem quaisquer amarras com a vida anterior.

Quase todos os Orixás veem Nanã como uma mãe, até mesmo aqueles que não são seus filhos legítimos; os seus descendentes autênticos são: Ewá, Irokô, Omolú/Obalauê, Ossain e Oxumaré.

Nanã Burukú
Nanã Burukú

História de Nanã

Há diversas lendas sobre Nanã. Destas, uma das principais é a que conta que a divindade era uma poderosíssima soberana que assimilava os mistérios da morte.

Este conhecimento despertou o interesse de Oxalá, que então se casou com Nanã Burukú . Por não haver amor na relação dos dois, o Orixá fez um feitiço para que Nanã conseguisse engravidar, algo que funcionou, mas que fez com que o filho deles nascesse com a pele recoberta de pústulas.

A Orixá, ao ver o menino, repudiou-o, abandonando-o à morte. Este ato fez com que a deusa fosse condenada, por Oxalá, a ter outras crianças com anomalias e a morar nos pântanos escuros.

Qualidades

Nanã Burukú possui várias qualidades, das quais, as principais serão enumeradas logo em seguida:

  • Adjaoci: utiliza vestes azuis; descendente de Ifê; mora em águas doces;
  • Ajapá: mora nos pântanos; senhora da morte, da lama e da terra; padroeira dos moribundos;
  • Buruku: senhora da terra e do dinheiro; descendente de Abomey; sempre tem consigo um ibiri azul.
  • Obaia: utiliza vestes lilás e contas de cristal; descendente de Baribae; senhora da lama e da água;
  • Omilaré: utiliza vestes de musgo e cristal; é a representação mais velha; esposa de Oxalá; senhora dos pântanos e do fogo;
  • Oporá: utiliza sempre òsun vermelho; descendente de Ketu;
  • Savé: utiliza vestes azuis e brancas e uma coroa feita de búzios;
  • Xalá: caminha com Oxalá;
  • Ybain: utiliza vestes vermelhas; senhora da varíola;

Características de Nanã

Os filhos de Nanã Burukú, apesar de descenderem de uma Orixá impetuosa e vingativa, são calmos, pouco impulsivos e extremamente gentis; aliás, exatamente por estas características, esses indivíduos propendem a ter muita habilidade com crianças. Também fazem parte da personalidade desses indivíduos o saudosismo, a teimosia, o rancor, a sapiência e um excelente senso de justiça.

Candomblé e Igreja Católica

Para o sincretismo de Nanã, que é a Orixá mais antiga, foi escolhida a Santa Ana, avó de Jesus Cristo. Isto porque as duas entidades representam a criação divina e o poder da essência feminina.

Nanã na Umbanda

Tanto a Umbanda, quanto o Candomblé, veneram intensa e respeitosamente Nanã – até porque ninguém quer despertar a ira da Orixá –, não existindo diferenças significativas entre as formas de como ela é vista e cultuada pelas duas religiões.

Oferendas

As principais oferendas destinadas à ela são a jacá e o sarapatel.

É importantíssimo evidenciar que os sacrifícios feitos em prol de Nanã não devem ser realizados com metal, pois a divindade não aceita que Oxum, o Orixá manipulador do ferro, seja o deus mais vital para a humanidade e matar animais para ela com esse minério seria tido pela deusa como uma ofensa.

  1. Sarapatel:

Para fazer o sarapatel, necessita-se de: miúdos de porco, limão, salsa, coentro, pimenta do reino, cominho, cebolinha e folha de louro.

Tendo os ingredientes em mãos, primeiramente é preciso limpar e picar os miúdos, lavá-los com bastante suco de limão e colocá-los para cozer. Feito isto, deve-se preparar um tempero com cebolinha, coentro, cominho, folha de louro, limão, pimenta e salsa. Por fim, basta misturar o tempero aos miúdos e terminar de cozer o prato.

Oxumaré

Oxumaré

Oxumaré ou Oxumarê é um orixá africana que é representada pela cobra e o arco-íris, e por isso mesmo representa a mobilidade, a destreza e a agilidade. De acordo com a mitologia africana, Oxumaré mora no céu e quando viaja para a Terra utiliza o arco-íris como caminho.

Se você já ouviu falar que ao final dele existe um pote de ouro saiba que tal lenda possui certo sentido, pois é uma divindade que representa a fortuna, a abundância, a riqueza e a prosperidade.

Oxumaré é a junção dos sexos, ou seja, do masculino e do feminino, o duplo da vida (água e terra, vida e morte, etc.), a união dos opostos. Na cultura religiosa brasileira, é tido como um orixá masculino, mas há aqueles que a relacionam a Oxum.

Todavia, a conexão estabelecida com o universo feminino é realizada através de sua irmã gêmea, Ewá que em diversas representações, é representado como uma cobra que se enrola no corpo dela com o intuito de lhe oferecer proteção.

Ainda assim, Oxumaré é também representado como uma cobra gigante que envolve toda a Terra de modo que garante a integração do planeta, assim como a renovação do universo, já que rege as transformações necessárias.

Oxumaré
Oxumaré

Lenda de Oxumaré

Existem várias lendas a respeito desse orixá, mas esta que irei te apresentar é uma das mais singelas, pois diz respeito ao seu nascimento. De acordo com a mitologia africana, Oxumaré é filho de Nanã e Oxalá. Porém, como Nanã carregava uma praga, assim como Omulu, também nasceu com problemas que, neste caso, não possuía nem braços e nem pernas.

Semelhante a uma serpente, mas com forma humana, Oxumaré se rastejava pelo chão e Nanã, mais uma vez decepcionada, repetiu a mesma ação com Omulu: abandonou Oxumaré. Todavia, este logo aprendeu a se virar sem o auxílio de ninguém e devido a sua agilidade e sabedoria aprendeu a nadar, caçar e subir em árvores.

Como gostava muito de batata doce, aprendeu rapidamente o seu plantio e cultivo. Em certa ocasião, Orunmilá, considerado o orixá da profecia, começou a observar Oxumaré e movido pela piedade resolveu transforma-lo em um dos mais belos orixás, além de encarrega-lo com a tarefa de levar e trazer as águas dos céus até o palácio de Xangô. É devido a esta lenda que quando há a necessidade de chuva em alguma região, as pessoas fazem o seu pedido a esse orixá para que traga as águas.

Qualidades de Oxumaré

Oxumaré possui 5 qualidades, a saber:

  • Dan – Trata-se da cobra que participou da criação. É ligado à chuva e a fertilidade;
  • Dangbé – É o pai de Dan. Destaca-se pela grande intuição e governa os movimentos dos astros;
  • Becém – É um nobre guerreiro e dono do terreiro do Bogun;
  • Azaunodor – É o príncipe de branco que se relaciona com os antepassados. Ele reside em Baobá;
  • Frekuen – Trata-se do lado feminino de Oxumaré e é representado pela serpente mais venenosa. O lado masculino é representado pelo arco-íris.

Na Umbanda, Candomblé e Igreja Católica

Oxumaré é cultuado na Umbanda e no Candomblé. No catolicismo, ele é sincretizado com São Bartolomeu e os festejos e homenagens são realizados todos os anos em 24 de Agosto.

Oferendas

Para fazer uma oferenda em homenagem a Oxumaré você pode preparar a receita de Batata Doce. Veja o que é preciso fazer:

Ingredientes

  • 500 gramas de batata doce;
  • Feijão fradinho;
  • Azeite de dendê.

Modo de Preparo

Cozinhe a batata doce e depois a descasque. Adicione o dendê e amasse bem até que se forme uma pasta homogênea. Divida essa mesma pasta em duas partes iguais e as molde em formato de duas serpentes para que forme uma circunferência, sendo que uma deverá ficar com a cabeça na direção do rabo da outra.

Pegue o feijão e faça os olhos das serpentes e utilize o restante para decorar o corpo ao seu modo. Por fim, regue-as com dendê e ofereça a Oxumaré. Se quiser, poderá acender velas brancas.

Filhos de Oxumaré

Os seus filhos adoram mudanças e por isso sempre enfrentam a vida com incerteza e coragem. São bastante agitados e geralmente se apegam aos bens materiais. Esforçam-se bastante e sabem esperar pacientemente pelas oportunidades.

Ewá

Ewá

Ewá ou Yewá é a divindade que possui o dom da vidência e uma apuradíssima intuição, além de ser a regente da neblina, a padroeira de tudo que é virgem e intocável, a senhora das mutações e a responsável, juntamente ao seu irmão Oxumaré, pelo vigor do arco-íris.

Ademais, essa Orixá possui uma graça inigualável, sendo a representante da beleza e da sensualidade. Ela também é um modelo de esperteza, sendo uma exímia e sábia guerreira e já tendo enganado a morte numerosíssimas vezes.

Ewá
Ewá

Lenda de Ewá

Filha de Oxalá e Nanã e irmã de Oxumaré e Omolú, Ewá nunca se interessou em se casar, preferindo conservar-se casta e voltar-se ao aprendizado e às descobertas dos mistérios que circundam as mutações da natureza.

No entanto, apesar de sempre deixar seus desejos muito claros, Ewá sofria constantes pressões, de Nanã e dos Orixás que se encantavam com a sua beleza, para que escolhesse um esposo.

Desesperada, a Orixá pediu o auxílio do seu irmão Oxumaré, que a levou até o fim do arco-íris, onde ninguém sabia mais chegar. Ewá, então, passou a viver com o seu irmão, praticando o que deseja.

Qualidades de Ewá

Ewá possui uma quantidade considerável de qualidades; veja-as a seguir:

  • Awo: é a senhora dos jogos de búzio; sempre está acompanhada de Ossayn, Oxóssi e Oyá;
  • Bamio: é a senhora das pedras valiosas; caminha com Ossayn;
  • Fagemy: é a senhora dos arco-íris; caminha com Oxalá e Oxum;
  • Gyran: é a senhora dos raios solares; caminha com Omolú; Oxóssi e Oxum;
  • Gebeuyin: assume a forma de uma serpente de cor azul durante os temporais; caminha com Omolú, Oxum e Oyá;
  • Salamim: é a senhora da guerra e das matas; caminha com Iemanjá e Odé.

Características dos Filhos de Ewá

Um dos aspectos mais notáveis dos filhos de Ewá é a sua instabilidade temperamental. Também é normal que estas pessoas sejam distraídas, sugestionáveis e dotadas de uma peculiar beleza, além de serem naturalmente encantadoras, embora se tornem arrogantes e ásperas muito facilmente.

Candomblé e Igreja Católica

À Ewá, foi sincretizada a Santa Luzia, a qual, além de ser a protetora dos que padecem de problemas visuais, optou por manter a sua virgindade, pois preferiu dedicar-se ao espiritualismo no lugar da vida carnal, tal como fez e faz a Orixá.

Ewá na Umbanda

Ewá é mais cultuada no Candomblé, sendo menos idolatrada na Umbanda, quando em comparação a outros Orixás. Inclusive, muitos umbandistas sequer têm conhecimento sobre existência da Orixá.

Oferendas

O alimento comumente ofertado à Ewá é o adimu, já que ele é o que mais contenta a divindade.

É válido ressaltar que as oferendas tendem a ser mais bem sucedidas quando são deixadas na beira de lagos ou de rios e que não devem ser oferecidos alimentos que contenham galinha à Orixá, pois essa é a sua quizila.

  1. Adimu:

O modo de preparo do adimu é extremamente simples. Os ingredientes necessários são: feijão fradinho e preto, milho de galinha, batata doce picada, camarão seco, banana da terra picada, coco picado em cubos e 01 vela branca.

Primeiramente, é preciso refogar os feijões – em recipientes separados – e cozer as batatas, o milho e o coco – também em vasilhas distintas. Feito isto, basta dispor os alimentos, em quantidades pequenas e similares, em um alguidar, misturá-los e oferecê-lo junto à vela para a Orixá.

Oxalá

Oxalá

Oxalá, Orixalá, Orixaguinã, Gunocô ou Obatalá é o nome de uma divindade africana que é ligada a criação, tanto do mundo quanto dos seres. Ele pode se apresentar de duas formas: uma como jovem (Oxaguiã) ou então como um velho (Oxalufã).

Os símbolos que cada um carrega são: uma espada conhecida como idá, escudo e mão de pilão (para Oxaguiã) e um cajado de metal chamado de opaxorô para Oxalufã. Oxalá é um orixá de grande respeito, uma vez que ele é a maior divindade africana.

Nesse ínterim, a ele pertencem os olhos que veem tudo. Oxalá é ainda a paz, a qual deve reinar entre todos os povos e ele a transmite aos que lhe pedem algum tipo de auxílio.

Oxalá
Oxalá

Lenda de Oxalá

Existem várias lendas bonitas que demonstram a importância de Oxalá na cultura africana. Uma delas diz respeito à forma como que Ele se tornou o Pai da Criação. De acordo com a mitologia africana, Iemanjá, a filha de Olokum, foi designada a ser a mãe dos orixás por Olorum.

Como ela possuía uma beleza notável, todos desejavam se casar com ela. Sendo assim, Olokum resolveu perguntar a Orunmilá com qual pretendente sua filha deveria se casar. Orunmilá, por sua vez, disse que ele deveria pegar um cajado de madeira e dar a cada um dos pretendentes.

Além disso, eles deveriam passar a noite dormindo sobre uma pedra e segurando o cajado de forma que garantisse que ninguém pudesse pegá-lo. Assim que amanhecesse, aquele que estivesse com o cajado florido seria, portanto, o escolhido por Orunmilá para ser o marido de Iemanjá.

Deste modo, todos os pretendentes cumpriram com as regras e no dia seguinte, o sortudo foi Oxalá que teve o seu cajado coberto com flores brancas. Nesse ínterim, ele logo se tornou o pai dos orixás.

Veja também informações sobre Oxumaré.

Qualidades de Oxalá

Os caminhos conhecidos de Oxalá são 13 ao todo, a saber:

  • Ajagemo – Aquele que em sua festa anual combate Oluniwi, mas este sai vencedor;
  • Akire – Combate o mal e não aceita o desrespeito;
  • Alase ou Olúrobo – É o senhor da chuva;
  • Etéko – Vive nas matas e caminha com Oxaguiã;
  • Etéko Obá Dugbe – Defensor dos fracos, ele caminha com Orixalá;
  • Lejube – Medita muito e caminha com Xangô Avrá;
  • Obatalá – Conhecido como o Rei Branco é o senhor de todos os Oxalás.
  • Okó – Senhor da fertilidade da terra e da colheita do inhame. É considerado um orixá raro;
  • Olofon Ajigúna Koari – Conhecido como Oxalufan. Possui um grito forte;
  • Orinxalá – Conhecido como Obatalá. Marido de Yemonjá;
  • Oxalufã – Traz grande sabedoria e gosta de usar vestes brancas;
  • Oxoguiã (Oxaguian) – É um jovem guerreiro. Adora oferendas com inhames;
  • Ogiyan Ewúlee Jiigbo – É o senhor de Ejigbô.

Na Umbanda

Oxalá é uma divindade africana respeitada e cultuada tanto na Umbanda quanto no Candomblé. É geralmente sincretizado na Igreja Católica como Jesus Cristo no Rio de Janeiro, e Senhor do Bonfim na Bahia.

Oferendas para Oxalá

Um dos preparos que mais agradam a Oxalá é conhecido como Ebó, que nada mais do que a sua comida que é feita a base de canjica. Para prepara-la é só separar os seguintes ingredientes:

Ingredientes

  • 500 gramas de canjica branca
  • 01 cacho de uva Itália (uva branca)
  • Azeite de Oliva.

Modo de Preparo

Escolha bem os grãos e os lave bem. Cozinhe a canjica e tenha bastante atenção para não deixa-la grudar no fundo. Depois é só colocar em uma tigela branca e temperar com azeite de oliva. Acrescente também um pouco de mel e açúcar e, por fim, enfeite com o cacho de uva.

Ao fazer o oferecimento a Oxalá, procure colocar o Ebó em um lugar limpo que fique acima de sua cabeça. Ao lado da comida, acenda uma vela branca de 7 dias.

Filhos de Oxalá

Os filhos de Oxalufá geralmente são frágeis, delicados e até friorentos. Porém, possuem grande força moral; são fieis tanto no amor quanto na amizade.

Já os filhos de Oxaguiã são geralmente teimosos e individualistas. Cultivam o amor livre, são alegres, brincalhões e não perdoam injustiça. São idealistas, orgulhosos e possuem pensamentos originais, que em grande parte antecipam aqueles próprios de sua época.

Ossain

Ossain

Ossain, que é tido, para os umbandistas e candomblecistas, como o padroeiro da saúde, é uma das mais sábias divindades existentes, sendo a única a deter todo o conhecimento de como e para quê manipular cada vegetal existente. Ademais, o Orixá, além de benzedeiro, é feiticeiro, auxiliando muitos indivíduos na obtenção de conquistas e bens materiais desejados.

Ossain
Ossain

História de Ossain

Ossain sempre se interessou pelas plantas, continuamente estudando-as e experimento-as com muito afinco. Inclusive, ele utilizava muito de sua sabedoria para ajudar alguns molestados, oferecendo remédios naturais a eles.

Em certo dia, enquanto subia ao céu para buscar algumas ervas para a feição de remédios para os humanos, Ossain encontrou Orunmila, que perguntou o que ele fazia. Quando explicou, a Orixá ficou bastante surpresa com a atitude do outro e resolveu convidá-lo para que a observasse enquanto nomeava as plantas e, assim, aprendesse os seus mistérios e poderes.

Qualidades de Ossain

Ossain possui numerosíssimas qualidades; veja-as listadas logo a seguir:

  • Agbènigi: assume a forma de um velho feiticeiro; tem sempre a companhia de uma ave sagrada; possui controle absoluto sobre as ervas;
  • Agué: utiliza vestes adornadas com contas rosas e verdes; caminha com Oxumaré e Oyá;
  • Aroni: é o mais velho de todos; utiliza vestes de cores vermelha e verde escuro; é o protetor das matas e da morte; caminha com Iansã;
  • Atulá: alimenta-se apenas durante o dia; utiliza vestes brancas; caminha com Oxalufan;
  • Birigan: utiliza vestes que mesclam o verde-claro com o rosa e usa uma pluma branca na cabeça; caminha com Oxóssi;
  • Gayaku: é jovem e desenvolto; não frequenta locais habitados; apresenta-se na roda do Padê de Exú; alimenta-se com Oxóssi;
  • Miró: utiliza vestes verde-claras/escuras; domina as ervas sagradas;
  • Modun: domina as magias de cura e de morte; caminha com Omolú e Nanã;
  • Mokossu: é velho; mora sozinho nas matas; aprecia bebida e fumo; caminha com Exú.

  • Confira também sobre Ibeji.

Características dos filhos de Ossain

Os filhos de Ossain, assim como o próprio Orixá, são extremamente discretos e reservados, sendo estes os seus aspectos mais marcantes. Também, a paciência, a inteligência, a desconfiança, a racionalidade e a curiosidade propendem a estarem muito presentes na personalidade desses indivíduos.

Candomblé e Igreja Católica

O santo católico escolhido para o sincretismo com Ossain foi o São Benedito, o que se deve, principalmente, à benevolência deste; ele sempre se via impelido a ajudar os mais pobres e injustiçados, mesmo sob risco de punição, o que se assemelha um pouco a história de Ossain, que se dedicava aos humanos doentes, esforçando-se para ajudá-los com seus conhecimentos.

Ossain na Umbanda

Na Umbanda, o axé de Ossain está relacionado ao axé de Oxóssi, o que faz desse Orixá imprescindível para a realização dos cultos, sendo, portanto, obrigatória a sua presença em todas as cerimônias.

Oferendas

Os alimentos normalmente ofertados ao Ossain, por serem aqueles que mais agradam o Orixá, são a cachaça, o fumo, o inhame e o mel.

É importantíssimo ressaltar que as ofertas à divindade devem, preferencialmente, ser postas em matas densas e virgens, pois a quizila do Orixá é o vento.

  1. Inhame:

Para que a oferenda do inhame seja mais efetiva, é importante que ela seja bem preparada. Para isto, necessita-se de: 03 quilos de inhame, azeite de oliva, folhas de fumos, mel, sal, velas brancas e 01 alguidar.

Em primeiro lugar, é necessário cozer os inhames devidamente descascados e fazer um purê com eles. Após isto, é preciso colocá-los no alguidar – que deve ter sido lavado com água e mel e forrado com as folhas de fumo limpas. Por fim, tudo deve ser regado com azeite e um pouco de sal e ofertado com as velas – que não podem, em hipótese alguma, ser acesas.

Ibeji

Ibeji ou Ìgbejì são, ao invés de um, duas entidades – que são irmãos gêmeos –, representadas por um Orixá, que é o da infância e o da alegria. Ademais, essa divindade ainda simboliza a origem e o prosseguimento da vida.

Algo bastante peculiar sobre os Ibeji é o poder de mão-única que eles têm de desfazer quaisquer ações dos demais Orixás, sendo nenhuma outra divindade capaz de desfazer um ato deles.

Ibeji
Ibeji

História de Ibejis

Para a Umbanda e para o Candomblé, os Ibeji são filhos de Iansã e Xangô. Porém, a Orixá renegou as crianças ainda quanto recém-nascidas, abandonando-as em um rio. Oxum, que estava por perto, ouviu o pranto das crianças e resolveu ir até elas; ao chegar ao local, ela se deparou com ambos os irmãos e, compadecida e enfeitiçada por aqueles seres, resolveu adotá-los como filhos, dando-lhes os nomes de Kehinde e Taiwo.

Características dos Filhos de Ibejis

É muito característico dos filhos de Ibeji o temperamento infantil, ou seja, a alegria, a fragilidade, a imaturidade, a inconsequência, a impaciência, a teimosia e a jovialidade são aspectos marcantes desses indivíduos. Ademais, também é frequente que os filhos desses Orixás sejam bastante possessivos e obcecados com as pessoas que eles prezam.

Candomblé e Igreja Católica

Aos Ibejis, foram sincretizados os santos Cosme e Damião, o que se deve, principalmente, ao fato destes serem as únicas figuras gêmeas do catolicismo.

Ibejis na Umbanda

Os umbandistas e os candomblecistas idolatram os Ibeji de modo bastante parecido, não havendo diferenças expressivas entre uma adoração e outra.

É válido ressaltar que tanto na Umbanda, quanto no Candomblé, deve-se ter bastante cuidado com os Ibeji, pois eles, por serem bastante arteiros, podem corromper e atrapalhar os cultos, caso não recebam a atenção necessária. Ademais, como ambas as religiões têm os Ibeji como filhos adotivos de Oxum, é comum a lembrança e a homenagem a essas divindades nos rituais dedicados à Orixá.

Oferendas a Ibeji

Os alimentos que mais contentam os Ibeji são os doces, principalmente aqueles que levam mel em sua composição. Os Orixás também adoram quando os pratos vêm acompanhados com brinquedos – é importante sublinhar que os brinquedos devem ser iguais na qualidade, para que a ira de um dos Ibeji não seja despertada.

  • Caruru:

O caruru é um dos alimentos que mais contentam os Ibeji. Para fazê-lo, são necessários: 01 quilo de quiabo cortado – durante o corte dos quiabos, é preciso fazer silêncio e imaginar o pedido desejado –, ½ quilo de camarão seco moído, 200 gramas de castanha de caju moída, 250 ml de azeite de dendê, 02 dentes de alho, 01 cebola grande, suco de 01 limão, gengibre ralado a gosto e guaraná.

Tendo todos os ingredientes em mãos, deve-se refogar o quiabo e o gengibre na cebola, no alho e no azeite. Feito isto, o camarão, as castanhas e, aos poucos, água quente devem ser adicionadas a mistura, a qual deve cozer até as frutas adquirirem uma tonalidade rósea. Por fim, basta dispor o prato em um alguidar e colocar o guaraná em uma quartinha de barro.

Irôko

Irôko

Irôko, uma das mais poderosas divindades existentes, é um dos regentes do tempo e da ancestralidade, além de ser o padroeiro da natureza e dos animais.

Embora não seja usual desse Orixá influir diretamente na decisão dos demais deuses, é ele quem decide o momento ideal para a concretização de cada acontecimento.

Irôko
Irôko

História de Irôko

  • Orixá da Árvore Sagrada:

Nos primórdios dos tempos, os Orixás decidiram que um deles deveria ser plantado na Terra, para que as demais divindades conseguissem descer ao planeta com mais facilidade e fossem, assim, mais rápidas as tarefas de torná-lo habitável e de povoá-lo. O escolhido para esta tarefa foi Irôko, que ficou conhecido como o Orixá da Árvore Sagrada.

  • Crescimento de Irôko:

Certo dia, Exú, em uma discussão com outras divindades, soprou um pó que se transformou em um raio e culminou na morte de dois homens. Os humanos que presenciaram este feito, assustados, acabaram por taxar aquilo de magia negra, o que ofendeu profundamente os Orixás, que começaram a dizimar toda a forma de vida presente na Terra.

Oxalá, devastado com aquilo, suplicou que Olorum pusesse um fim à devastação que ocorria. O Orixá, então compadecido, soprou sobre Irokô o Efuru, o que o fez criar fortes raízes na Terra e a crescer de maneira quase incontrolável. Olorum, então, pegou um galho da Árvore e o entregou a Oxalá, dizendo que, a partir de então, apenas ao Orixá caberia o destino da sua criação (a humanidade).

Olorum ainda glorificou Irokô por ele ter doado parte de si à humanidade, garantindo que ele seria a maior Árvore Sagrada existente e que ninguém seria capaz de destruí-lo.

Qualidades de Irôko

Irôko Olúwére é a única qualidade de Irôko, sendo a representante da energia que flui dentro da árvore que abriga o Orixá.

Características dos filhos de Irôko

Os filhos de Irokô são, normalmente, muito teimosos, ciumentos, vingativos e indiscretos. Contudo, esses indivíduos possuem muitas características que se opõem a esses aspectos negativos, como a extrema inteligência, determinação, generosidade e persuasão. Ademais, é característico dos filhos desse Orixá o gosto pela diversão e pela liderança.

Candomblé e Igreja Católica

Como Irokô é o protetor da natureza como um todo, ele foi sincretizado ao São Francisco de Assis, que é tido, para o catolicismo, como o padroeiro dos animais. Além disto, ambas as entidades consideram imprescindível o respeito com o próximo, mais uma razão para essa paridade.

Irôko na Umbanda

Os umbandistas e candomblecistas cultuam Irôko de maneira muito similar, não havendo diferenças significativas entre as adorações.

Ademais, é importantíssimo evidenciar que ambas as religiões consideram impensável o desrespeito com o Orixá, pois isto equivale a negar todas as gerações anteriores e todas as raízes que formam o indivíduo.

Oferendas a Irôko

Os alimentos que são normalmente ofertados ao Irôko, por serem os que mais agradam a divindade, são o carneiro, o milho branco, a farofa de dendê e o buenguê.

O último tem um modo de preparo bastante descomplicado. Para fazê-lo, basta apenas cozinhar bem uma porção de canjica e açucará-la com mel – é importante ressaltar que este prato deve ser servido em um recipiente branco.